segunda-feira, 3 de junho de 2013

CRESCIMENTO ECONÔMICO NOS EUA E EUROPA: MERCADO IMOBILIÁRIO


03/06/13 - Retomada do crescimento econômico nos EUA e Europa começa pelo mercado imobiliário
Os mercados imobiliários nos Estados Unidos e na Europa, que sofreram grandes perdas com a crise financeira a partir de 2008, ganharam novo fôlego este ano e já se recuperam no cenário mundial.

O momento é favorável com a forte elevação dos preços, crescimento expressivo do investimento residencial, alta nas vendas e locações de imóveis - fruto do aumento das vagas de empregos nesses países e do otimismo dos empresários locais.

Segundo uma pesquisa das consultorias S&P e Case Shiller, os preços das moradias para uma única família nos Estados Unidos subiram em março, registrando o maior ganho anual em quase sete anos. O índice de 20 áreas metropolitanas obteve ganho de 1,1%, segundo dados ajustados sazonalmente, superando a estimativa de economistas de 1%.

De acordo com o diretor geral da i-Uni Brasil (Imobiliárias Unidas), Rodrigo Caporrino, a recuperação imobiliária americana continua a fornecer uma fonte de força para a economia. “As vendas de imóveis dos EUA dá bons sinais de recuperação. Os preços estão subindo há mais de 12 meses e o número de execuções de hipotecas caiu 52% desde setembro de 2010”, diz.

Um bom exemplo de que o mercado imobiliário melhorou inclusive no segmento de alto luxo, é o edifício residencial na 432 Park Avenue em Nova York, que já completou US$ 1 bilhão em vendas de apartamentos e terá 96 andares, segundo a assessoria do empreendimento no Brasil. O apartamento de menor valor custa US$ 7 milhões e o mais caro - a cobertura no topo do prédio - é listada por US$ 95 milhões. Os compradores são norte-americanos, e outros vêm da América do Sul, Oriente Médio, Reino Unido, China e Rússia.

Na Europa o mercado também está melhorando. Uma pesquisa recente da Price Waterhouse Coopers revela que os europeus estão otimistas em relação aos próximos meses. Cerca de 80% dos entrevistados afirmaram que a crise gerou oportunidades de negócios, incluindo a abertura de pequenas empresas.

Na Espanha, por exemplo, onde a rede i-Uni Brasil possui escritório e está em negociação para abrir as duas primeiras unidades da empresa nas regiões de Astúrias e Cantábria, as construções que estavam paradas desde o início da crise foram retomadas. Observa-se uma retomada da ordem de 30% das obras paradas nesta região. Embora a Espanha tenha a mesma característica dos Estados Unidos e seus Estados autônomos (na Espanha, províncias), nota-se que há uma movimentação singular generalizada para sair da crise, ainda que com resultados modestos.

Os bancos de países europeus resgatados pela União Europeia já disponibilizam linhas de crédito com juros baixos para fomentar o chamado “auto emprego”, onde as pessoas abrem pequenos negócios e passam a viver deles.

Caporrino diz que 2013 está sendo marcado pela gradual recuperação do desempenho econômico e da confiança das empresas. “Isso acaba preparando os empresários e trabalhadores do setor para uma retomada mais consolidada em 2014. A i-Uni Brasil está otimista e aposta muito na Europa para crescer”.

Essa retomada positiva nos mercados imobiliários dos Estados Unidos e dos países europeus geram bons frutos também para o Brasil. Esse reflexo pode ser sentido em vários setores da economia como turismo, mercado financeiro e, inclusive, no mercado imobiliário com uma demanda crescente de interessados em comprar, vender e alugar imóveis dos dois lados do atlântico através de plataformas de negócios como a que a i-Uni Brasil propõe.

Fonte: Portal SEGS
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=119456&catid=49&Itemid=330 

Extraído: http://www.imovelclass.com.br/ler.php?id=2238

ALERTA: FUNDOS IMOBILIÁRIOS ATRAEM INVESTIDORES

02/04/13 - Fundos imobiliários atraem mais investidores, mas especialistas alertam sobre riscos da aplicação

O número de investidores que aplicaram seus recursos em Fundos de Investimento Imobiliário (FII) cresceu em quase três vezes em 2012, na comparação com o ano anterior e chegou a 95 mil aplicadores. Foi o maior ritmo de atração de novos investidores já visto neste tipo de fundo num período de 12 meses.

Também foi no ano passado que o Banco Central reduziu a taxa básica de juro (Selic) ao menor patamar da história recente do país — 7,25% — tornando os investimentos em renda fixa menos atraentes. Especialistas em finanças pessoais identificaram nesse movimento uma busca por maior rentabilidade.

Entre os dez fundos imobiliários que tiveram o melhor desempenho, segundo levantamento feito pela consultoria Uqbar a pedido do GLOBO, os ganhos variaram entre 46% e 84%. Foram esses números que atraíram a atenção de muita gente.

No mesmo período, o Ibovespa valorizou-se pouco mais de 7%, enquanto os Fundos de Renda Fixa Índices, uma das categorias mais rentáveis do mercado em 2012, subiram 21,71%.

Mas os mesmos especialistas fazem um alerta: rentabilidade passada não é sinônimo de ganho futuro. Portanto, quem estiver disposto a migrar para os fundos imobiliários deve levar em conta também outros fatores.

— O investidor não deve esperar por rentabilidades tão elevadas num período tão curto. Esse é um investimento de longo prazo, de pelo menos 36 meses, que precisa ser feito com cautela — recomenda o educador financeiro Mauro Calil.

Shoppings e hotéis

Para quem nunca se aventurou nesse mercado, os fundos imobiliários investem recursos em fatias de shopping centers, hotéis, hospitais, lajes corporativas e galpões de logística. O rendimento vem do aluguel, que é depositado todo mês na conta do investidor. Há chance de ganho também com a valorização do imóvel. As cotas dos FIIs são negociadas na BM&FBovespa e seu valor varia diariamente.

Atualmente, há 94 fundos imobiliários negociados em Bolsa, segundo a BM&FBovespa. Esses fundos permitem que pequenos investidores tenham acesso a aluguéis de grandes empreendimentos, com valor inicial de aplicação baixo, a partir de R$ 100.

Outra vantagem é que quem aplica em imóveis, por meio desses fundos, está isento de pagar Imposto de Renda sobre o ganho. Fora dos fundos, os ganhos com aluguel são taxados com alíquotas entre 7,5% e 27,5%, dependendo do valor recebido.

— A administração dos fundos é feita por um gestor profissional, que procura as melhores oportunidades de ganho no mercado imobiliário — explica Arthur Vieira de Moraes, especialista na área.

Para o brasileiro, que sempre considerou imóvel como um investimento seguro em tempos de inflação alta, os FII são uma alternativa mais sofisticada de entrar no mercado imobiliário.

Os especialistas consideram que a aplicação oferece mais vantagens do que comprar um apartamento ou casa para ter uma renda extra com o aluguel. Mas advertem que os FIIs apresentam os mesmos riscos da compra de um imóvel para alugar, como inadimplência do inquilino, vacância por tempo prolongado, desvalorização, entre outros.

Para minimizar os riscos, o educador Mauro Calil afirma que uma pessoa que tem R$ 10 mil disponíveis para aplicação, e quer aplicar num FII, deve direcionar R$ 2,5 mil para quatro fundos diferentes.

— Apliquei em imóveis a vida toda. Um terço do meu patrimônio está dividido em nove fundos imobiliários. Pesquiso, vou a assembleias de shoppings nos quais os fundos aplicam e me informo sobre o empreendimento. É um cuidado que todo mundo deve ter: saber onde o dinheiro está aplicado — diz Marco Antonio Martignoni, de 72 anos, que trabalha no mercado financeiro.

Vários fatores explicam o bom rendimento da maior parte dos fundos imobiliários, no ano passado, mas alguns não devem se repetir em 2013. A queda da Selic num ritmo tão intenso foi um deles. O juro baixo deixou as aplicações de renda fixa, como a poupança, menos atraentes, abrindo oportunidades a outros investimentos. Para este ano, já se espera que os juros subam de 7,25% para 8,25% até dezembro.

Negócios de R$ 3,6 bilhões em 2012

Outro fator que não deve se repetir: o IGP-M, índice que reajusta a maior parte dos aluguéis, subiu 7,82% ano passado, mas este ano deve ser menor. Isso significa reajustes de aluguéis mais baixos. E embora o mercado imobiliário tenha continuado a se valorizar, como em anos anteriores, o ritmo foi mais lento. Alguns especialistas avaliam, inclusive, que esse boom no preço dosimóveis já chegou ao limite e que os valores podem recuar.

— A taxa de vacância dos imóveis também é outro risco. Galpão, prédio ou loja sem alugar significa rendimento menor ou mesmo prejuízo para o cotista do fundo. A taxa de vacância subiu de 0,5%, dois anos atrás, para algo entre 14% e 16% atualmente — aponta Vieira de Moraes.

Para José Diniz, diretor de investimentos imobiliários da Rio Bravo, uma das pioneiras no segmento, o mercado de FII decolou nos últimos três anos com maior oferta de fundos. Para ele, hoje há muito mais liquidez. Diniz lembra que, em 2010, os negócios com cotas de fundos imobiliários movimentaram R$ 379 milhões.

Em 2012, o número saltou para R$ 3,6 bilhões. E só nos dois primeiros meses de 2013, foi movimentado R$ 1,5 bilhão, o que leva a uma projeção de R$ 9 bilhões para este ano:

— Houve muitos lançamentos de fundos com patrimônio acima de R$ 1 bilhão. E há vários em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que devem ser lançados este ano — afirma Diniz.

Ele não acredita numa bolha no mercado imobiliário e avalia que mesmo que a Selic suba um pouco para conter a alta dos preços, ela deverá recuar assim que os índices de inflação cederem.

— É preciso pensar no longo prazo. Fizemos um levantamento com os fundos imobiliários que existem desde 2005 e eles mostraram retorno médio de 29% ao ano — diz o diretor da Rio Bravo.

Com o aumento da procura, a BM&FBovespa criou, no ano passado, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX). O índice é composto pelas cotas destes fundos listados em Bolsa e servirá como referência para acompanhar o rendimento médio da aplicação. Nos últimos 12 meses, o IFIX se valorizou 19,91% e no ano passado a alta foi de 23,93%.

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DICAS IMPORTANTES COM IMÓVEL: MORAR OU INVESTIR?

Morar ou investir: critérios para compra de imóveis são diferentes, dizem especialistas PDF Imprimir E-mail

As paredes bem cuidadas, a parte hidráulica e elétrica em ótimo estado de conservação e uma excelente aparência. Estes podem ser considerados alguns critérios básicos para a decisão de compra de um imóvel, certo? Nem sempre.

Isso porque quem adquire um imóvel com objetivo de investimento costuma analisar a compra do bem de forma diferente. “Os critérios de análise mudam quando se quer morar ou investir”, afirma o diretor-presidente da Vitacom Incorporadora, Alexandre Lafer Frankel. “Para quem compra pensando em morar, o imóvel é uma necessidade, enquanto, para quem quer investir, ele é apenas um ativo financeiro que pode proporcionar rentabilidade”, diz o executivo.

O vice-presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) e autor do Livro “Imóveis, Seu Guia Para Fazer da Compra e Venda um Grande Negócio”, Luiz Calado, afirma que quem compra o imóvel para investir precisa olhar para fatores como o estado de conservação e a possibilidade de vender o bem por um preço melhor do que aquele que foi pago. “Quanto mais benfeitorias você vier a fazer no imóvel (reformas e melhorias), maior o ganho de capital”, afirma Calado.


Por isso, ele ressalta que quem compra o bem com o intuito de obter rentabilidade deve preferir imóveis em pior estado de conservação, que precisem de reparos e de reformas.

“Entre uma casa linda, muito bem conservada e outra igualzinha, mas em péssimo estado de conservação, precisando de manutenção, aquela que precisa de manutenção vai ter um preço muito mais atraente”, afirma. “Se você está comprando para fazer dinheiro e registrar ganho de capital, esta que é a oportunidade, e não a casa que já está com o valor de mercado praticamente alinhado”, continua o especialista.

Segundo ele, quem compra um imóvel com o objetivo de investir também deve aceitar um pouco mais de risco. Isso quer dizer que o investidor pode adquirir imóveis em regiões mais afastadas, que tenham boas possibilidades de se desenvolverem e se tornarem locais bastante procurados. “A pessoa tem que olhar para onde a cidade está avançando e comprar com base nisso”, afirma Calado.

Já aqueles que compram com objetivo de morar costumam se atentar para outros detalhes. “A compra é muito emocional. Quando você entra em um imóvel mal cuidado, com rachaduras, onde nada funciona, acaba se desanimando e perdendo a vontade de comprar”, diz Calado.

Tamanho e localização
A escolha do tamanho e da localização do imóvel também varia, se o objetivo for investir ou morar. De acordo com Frankel, quem pretende investir deve optar por imóveis menores e próximos a regiões com grande fluxo de pessoas.

“Os ativos preferidos de quem investe são os residenciais compactos. Isto porque, frente ao preço, a renda obtida com o aluguel é mais interessante e esse tipo de imóvel também possui mais liquidez”, afirma.

Segundo ele, esses imóveis estão sendo muito procurados atualmente, por conta da falta de opções na rede hoteleira e também devido a uma mudança cultural dos brasileiros. “Existe o problema de falta de leitos nos hoteis e tem também o fato das pessoas estarem se casando mais tarde e tendo menos filhos, o que faz com que imóveis menores tenham uma demanda bastante elevada”, diz Frankel.

Já aqueles que pretendem comprar um imóvel para morar se baseiam mais nas necessidade da família, de acordo com a quantidade de filhos e a localização do bem. “Mas, mesmo que a pessoa compre para morar, também acaba pensando um pouco em investimento”, afirma Frankel. “Ninguém quer fazer um mau negócio ou perder dinheiro”, completa.

Fonte: InfoMoney
 
 
 

COMO FICARÃO OS PREÇOS DOS IMÓVEIS NO BRASIL EM 2013

Expectativa é de que os valores praticados no mercado imobiliário vão crescer mais comedidamente do que no ano passado

Apesar da leve queda que os preços dos imóveis sofreram no primeiro bimestre de 2013, conforme o ZAP Imóveis antecipou, as expectativas são que os valores praticados no mercado imobiliário continuem a subir ao término do ano.
 

 







Enquanto não houver alterações na Lei do Zoneamento e nos valores dos terrenos, não acontecerá a redução nos preços, diz economista
 
Segundo pesquisa divulgada pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação), a variação real dos preços dos imóveis no primeiro trimestre de 2013 foi de alta de 1,4% em relação ao ano anterior.
Este aumento, no entanto, é menor do que o registrado em todo o ano de 2012, quando os valores subiram 3% na comparação com o acumulado de 2011. E é justamente este cenário que os especialistas esperam até o próximo mês de dezembro.
 
“Acreditamos que os preços vão continuar subindo, mas, não da mesma velocidade que antes”, analisou Claudio Bernardes, presidente do Secovi.
 
“Os preços dos imóveis não têm como cair. Enquanto não houver alterações na Lei do Zoneamento e nos valores dos terrenos, não acontecerá esta redução. Além disso, os insumos [para a construção civil] sobem todos os meses. Então, tudo isso acaba refletindo nos preços dos imóveis”, completou Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato.
 
O Índice FipeZap de abril, o último divulgado até o momento, comprova a tese dos profissionais do setor. O indicador apontou que o preço anunciado do metro quadrado no Brasil aumentou 1,1% no quarto mês do ano.
Leia também no site abaixo:
Porém, apesar deste reajuste, notou-se que a variação nos valores tem desacelerado: a alta acumulada em 2013 está em 3,9%, bem menor dos 5,3% anotados no mesmo período do ano passado.
“O mercado imobiliário vai crescer mais comedidamente do que no ano passado. Mas, eu não vejo muita alteração nos valores em 2013. Analisando o horizonte, os preços vão, no mínimo, se manter em relação a 2012”, finalizou Emilio Kallas, vice-presidente de Incorporação e Terrenos Urbanos da
entidade.

publicado em 22/05/2013 às 8:06
atualizado em 22/05/2013 às 9:38
por Guilherme Yoshida | Fonte: ZAP Imóveis           
Fonte:http://www.zap.com.br/revista/imoveis/mercado/precos-dos-imoveis-nao-vao-cair-em-2013-apontam-especialistas-20130522/

Não há bolha no mercado imobiliário, diz especialista


O mercado imobiliário ainda está no início de um novo ciclo de expansão e ainda não há sinais de que uma bolha esteja em formação. A opinião é do consultor Daniel Citron, que já foi diretor financeiro da Cyrela e presidente da Tishman-Speyer no Brasil. Em entrevista à gestora de recursos Rio Bravo (clique aqui e ouça a íntegra), Citron diz que o desequilíbrio de oferta e demanda explica os altos preços dos aluguéis de imóveis comerciais nas principais metrópoles brasileiras e diz que as incorporadoras terão de aprender a lidar com as pressões de custos na construção. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
Pergunta - O Brasil está em uma bolha imobiliária? E se não está, como é que a gente vai saber quando chegar lá?

Citron – Eu não acho que é uma bolha. Estamos no início de um longo ciclo de expansão. O jeito de se ver uma bolha normalmente tem muito a ver com alavancagem, coisa que ainda não temos no Brasil. Estamos em uma época em que os negócios imobiliários são feitos com baixo índice de alavancagem. No mercado residencial, a gente já vê um pouquinho de financiamento a longo prazo. É isso que está levando a essa explosão de demanda e, por conseguinte, de preços. Mas não acho que isso seja bolha.

Pergunta - Você foi diretor financeiro da Cyrela nos anos 90 e presidente da Tishman no Brasil até recentemente. Como você vê o progresso do mercado imobiliário brasileiro nos últimos anos?
Citron – No Brasil, tudo demora a acontecer. Mas quando acontece, é mais rápido que na maioria dos lugares. A capacidade do empresário ou executivo brasileiro de se adaptar a situações novas é surpreendente. Eu acho que no mercado imobiliário, não é diferente. Há 10 ou 12 anos, tínhamos um mercado totalmente feito de empresas familiares, financiadas pelos mecanismos tradicionais e alguns fundos de pensão. Eram empresas pequenas, relativamente amadoras, sem nenhuma governança. De repente, o que a gente viu foi uma mudança brutal de paradigmas. Há vinte empresas de capital aberto, uma porção de fundos investindo aqui, negócios estruturados e fusões. Ainda não há os mecanismos financeiros que são vistos lá fora. Mas o fato é que, levando em consideração a velocidade com que isso aconteceu, até que as empresas se adaptaram bem. Faltam executivos, engenheiros, mestre de obras, equipamentos para obra… Mas é porque a velocidade dessa virada foi muito rápida.
Pergunta – Vamos falar dos dois maiores mercados do Brasil. Você acredita que Rio e São Paulo ainda têm potencial de crescimento no valor dos aluguéis comerciais? E os imóveis comerciais?
Citron – É difícil responder. Já temos áreas de escritórios em São Paulo e no Rio que estão sendo alugados por valores mais altos que na Park Avenue [em Manhattan], o que é uma coisa completamente louca. O preço está alto? Está. É sustentável? Se a gente imaginar que o que sustenta preço é sempre oferta e demanda, sim. Porque não tem oferta. A taxa de vacância em São Paulo e no Rio é a mais baixa da história. Enquanto isso não se resolver, os preços vão continuar altos e, eventualmente, até subindo. Quanto tempo isso vai durar? Se a gente tivesse fábrica de imóvel, que a gente pudesse ligar um botão e fazer jornada dupla fabricando imóvel, duraria pouco tempo. Mas para fabricar imóvel, demora três, quatro ou cinco anos. Então, eu acho que a gente ainda tem um tempinho pela frente de mercado em alta.

Pergunta – Como você compara o desempenho do mercado imobiliário de Rio e São Paulo e com as demais capitais do Brasil?

Citron - Fora desse eixo, está acontecendo muita coisa. Existe uma grande atividade, principalmente nos setores residenciais. Mas obviamente são lugares que estão em outro patamar de desenvolvimento em todos os sentidos. Brasília, por exemplo, é um mercado que está indo muito bem, assim como algumas cidades do Nordeste. No Brasil inteiro temos esse fenômeno da classe média emergente, que é a base de tudo. No setor comercial especificamente, ainda não temos um número suficiente de empresas grandes nesses outros lugares que justifique que aconteça algo parecido com o que se vê em São Paulo.

Pergunta – Na semana passada, a Cyrela reduziu a estimativa de lançamentos de imóveis. O que o Elie Horn [dono da empresa] está vendo na posição privilegiada dele na indústria?

Citron – Concomitantemente com o aumento dos preços dos imóveis, houve um enorme aumento no custo de construção. Quando é feito o orçamento de uma obra, às vezes se está no meio de um processo de alta de custos, que pode estourar o orçamento e reduzir as margens. Outras construtoras provavelmente vão anunciar o mesmo. Quando a margem cai, as empresas passam a ser mais seletivas e fazem menos empreendimentos. Não estou afirmando que a demanda caiu. Ainda há muita demanda para residencial. Mas vai haver uma seletividade maior na busca de negócios pelas incorporadoras.

Pergunta – As incorporadores estão com dificuldade de repassar a alta de custos para o preço final do imóvel?

Citron – Os preços vêm subindo. Mas tem uma questão de tempo, nem sempre as duas coisas acontecem simultaneamente. Vale lembrar que ninguém mostrou prejuízo até agora.

Pergunta – Há um número gigante de empreendimentos com entrega prevista para 2012 e 2013. A mão de obra está cara e escassa, e as construtoras falam em falta de terrenos. Vai haver um freio de arrumação ou a indústria vai passar por um pouso suave?

Citron – Eu acho que todo mundo vai ter que lidar com essa realidade. Todos vão ter de revisitar esse assunto e ver qual é a nova realidade, o que é normal. O mercado muda de patamar rápido e você tem que parar e pensar qual é meu novo modelo. Uma empresa que tem maior volume de repente aceita uma margem menor. Mas não sei qual vai ser o resultado final disso.

Pergunta – Para onde vai o mercado de fundos imobiliários? Eles vão se popularizar como investimento?

Citron – Acho ótimo o atual crescimento. Participei da gênesis desse mercado, com o lançamento de fundos como o JK Financial Center e a Torre Norte. A visão era a de facilitar a vida do investidor, achando um caminho para que indivíduos possam participar de grandes empreendimentos mesmo que não tenham um volume de dinheiro significativo. Isso já é realidade em todos os lugares do mundo, e a gente apostou que isso um dia aconteceria no Brasil. Acho que a popularização tem tudo para acontecer. Há uma série de vantagens, como um benefício fiscal e um nível de segurança dado pela gestão financeira. Para o empreendedor, é uma belíssima forma de financiar imóveis comerciais.

Pergunta – Vamos falar de shopping centers. Há 24 inaugurações previstas para este ano. Você acredita que ainda há espaço para o crescimento do setor?

Citron – Um potencial brutal. Eu acho que tanto o setor de shopping centers quanto o de varejo são muito promissores. A nova classe média emergente inclui milhões de pessoas que estão vindo para o mercado e querem comprar coisas.
Fonte: Exame.com

ESPECIALISTAS DIZEM: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEIS PODE MELHORAR O MERCADO


Órgãos de defesa do consumidor cobram punições mais pesadas e construtoras minimizam atrasos

A lei que estabelece multa para as construtoras que atrasam a entrega de imóveis, aprovada nesta terça-feira (21), tem potencial de disciplinar o mercado imobiliário, afirmam os especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil.

O projeto, de autoria do deputado estadual Wagner Montes (PSD), foi vetado pelo governador Sérgio Cabral, mas a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) derrubou o veto e aprovou a medida, que terá efeito a partir de sua publicação nos próximos dias.

De acordo com a nova lei, a empresa que atrasar mais de 180 dias - considerado o prazo de tolerância - a entrega dos imóveis terá que pagar multa de 2% do valor total do mesmo. Outra obrigação é o pagamento de 0,5% do valor da unidade habitacional por cada mês de atraso, neste caso inclui-se também o prazo de tolerância. Para os analistas consultados pelo JB, essas medidas devem inibir os atrasos por parte das construtoras, mas podiam ser mais rigorosas. É o caso de Mariana Alves Tornero, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):

Taxista comprou imóvel em empreendimento que atrasou mais de 30 meses

"Se foi feita uma legislação sobre isso é porque a questão é crítica no setor imobiliário. Os consumidores sempre são surpreendidos com esses atrasos e acabam tendo prejuízos. Na avaliação do Idec, a lei acaba dando um prazo de tolerância muito grande para as empresas. Elas já têm conhecimento do mercado, sabem quais são as épocas chuvosas e qual é a rotatividade de mão de obra, por exemplo. O que acontece hoje é que elas fixam um prazo que sabem não poder cumprir, o consumidor se programa com aquela data e acaba não recebendo o imóvel", argumenta.

O advogado Arnon Velmovitsky, presidente da comissão de Direito Imobiliário do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), também crê que a lei seja positiva. Ele afirma que é preciso não só aplicar "multas pesadas", mas também "ressarcir as despesas que o consumidor tem por causa disso, tal qual aluguel e IPTU". No entanto, ele crê que é preciso ter uma atuação preventiva com as empresas do setor, para prevenir problemas "na saúde financeira dessas empresas":

"Não só a questão da multa, mas também o caráter preventivo. Tivemos o caso da Encol e outras empresas que tentaram empreender mais do que podiam e acabaram provocando o fenômeno da alavancagem", explica, em referência ao famoso caso da Encol, em que a construtora faliu, deixando mais de 700 obras inacabadas e 42 mil mutuários sem imóvel.

Setor imobiliário minimiza ocorrência de atrasos

As entidades representativas das empresas do setor imobiliário fluminense não se opuseram à lei, mas acreditam que os casos de atrasos hoje são pouco representativos em relação ao total de empreendimentos lançados. Para João Paulo Rio Tinto de Matos, presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), a lei deve ter "caráter educativo", mas crê que grande parte das construtoras cumpram seus prazos:

"Eu acredito que nesse momento poucos empresários estejam nessa situação. O grande volume de atraso de obras aconteceu entre 2009 e 2011, quando houve o grande boom do setor imobiliário. Quando o mercado cresceu, as empresas acreditavam que teriam uma capacidade de produção, o que não se verificou verdadeiro por causa de falta de mão de obra e de equipamentos, por exemplo. Hoje o número de obras em atraso é muito menor do que era em 2011", explica.

O presidente da Ademi também afirma que, ao contrário do que os especialistas em defesa do consumidor costumam dizer, não há interesse por parte das construtoras em descumprir os prazos contratuais:

"As construtoras não têm interesse em atrasar, porque deixam de receber juros e ficam com uma imagem negativa para o consumidor", conclui.

Já o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio) não quis se manifestar sobre a nova legislação. A entidade terá uma reunião nesta semana para tratar da questão e, só então, vai emitir um parecer sobre o assunto.

Publicado em 23/05/2013- Postado em 23/05/2013 às 11:23 AM


 

SEGUNDO A PRESIDENTE DILMA,PLANO SAFRA SALVARÁ O SEMIÁRIDO

Dilma diz que governo lançará Plano Safra do Semiárido

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira que o governo lançará um Plano Safra do Semiárido. "O Brasil tem Plano Safra da agricultura comercial e Plano Safra familiar. Agora, vamos regionalizar o Plano Safra só para o Semiárido nordestino", afirmou. De acordo com Dilma, esse plano é importante para que, quando houver seca, os cidadãos não percam a subsistência e para que não seja necessário importar milho do Sul do País, da Argentina e do Uruguai para alimentar os animais do Nordeste.

Ela afirmou ainda que a administração federal fará estrutura e dará "assistência e dinheiro" para minimizar as dificuldades da seca. "As dívidas também serão equacionadas neste Plano Safra que nós iremos lançar", afirmou. Dilma disse que não hesitará em gastar dinheiro federal, mas afirmou que só por meio de parcerias é que os projetos se tornam viáveis. "Busco parcerias, a mais republicana possível. Não olho partido, time de futebol ou religião", declarou.
Segundo a presidente, o Brasil passou muito tempo sem obra e sem projeto e só "no final do primeiro período do governo Lula" é que "passamos a investir". "É por isso que fazemos este imenso esforço, pois viemos de uma época que não tinha projetos", afirmou. "O Brasil não repassava dinheiro, não tínhamos obras", reforçou.

Dilma prosseguiu dizendo ainda que o País cresceu e distribuiu renda e que agora o "povo anda de avião". "Há um encantamento do Brasil por essa região", acredita. A presidente está em Natal, onde firmou convênios e participou da cerimônia de entrega de 111 retroescavadeiras e cem motoniveladoras.
Atualizado: 03/06/2013 15:44 | Por RENAN CARREIRA E CARLA ARAÚJO, estadao.com.br
Fonte:http://estadao.br.msn.com/economia/dilma-diz-que-governo-lan%C3%A7ar%C3%A1-plano-safra-do-semi%C3%A1rido

 

 

DESAFIO É LEVAR PAÍSES RICOS A NEGOCIAR

 A Organização Mundial do Comércio (OMC) passa por um momento decisivo em sua história e o brasileiro Roberto Azevêdo terá a difícil missão de transformar a OMC em um mesa global de negociações internacionais importantes. Se não conseguir, sua gestão pode ser irrelevante. Esta é a opinião do especialista em comércio exterior, autor de diversos livros sobre o assunto e atualmente pesquisador do Peterson Institute for International Economics em Washington, Gary Clyde Hufbauer.

Missão

Sobre a missão do brasileiro, o desafio de Azevêdo será determinar se a OMC vai voltar a ser o principal fórum para negociações comerciais ou se cederá seu lugar para acordos entre blocos regionais. "Se ele não fizer ações que tragam Estados Unidos, União Europeia Japão, Coreia e outros países industrializados de volta à mesa de negociações, sua gestão pode ser irrevelante", destaca Hufbauer em uma gravação colocada ontem no site do Peterson Institute.
Hufbauer diz não conhecer Azevêdo pessoalmente, mas tem amigos que o conhecem e que a impressão é que ele é um diplomata muito qualificado, inteligente e talentoso para negociações. "Azevêdo pode apresentar em uma negociação uma posição que é completamente contra a sua e ainda fazer isso de forma agradável, ainda que persuasiva", disse.

Fonte: http://estadao.br.msn.com/economia/desafio-%C3%A9-levar-pa%C3%ADses-ricos-a-negociar

 

 

 

MÉXICO QUER NEGOCIAR ACORDO COMERCIAL COM O BRASIL


Superada a disputa entre Brasil e México pelo cargo de direção na Organização Mundial do Comércio (OMC), o chanceler...
Superada a disputa entre Brasil e México pelo cargo de direção na Organização Mundial do Comércio (OMC), o chanceler mexicano, José Antonio Meade, chega hoje a Brasília para tentar relançar a ideia de um acordo comercial entre os dois países, que já teria o apoio de grandes multinacionais mexicanas e brasileiras.

Com um comércio bilateral de mais de US$ 10 bilhões e tendo mais investimentos no Brasil que a China, o México pressiona para que haja um novo entendimento entre os dois países.

Nos últimos 20 anos, diversos governos têm ensaiado uma aproximação. Mas setores sensíveis em cada um dos lados mantêm um acordo entre as duas maiores economias da América Latina no congelador. O Brasil chegou a suspender o acordo que tinha no setor de automóveis com o México por conta de uma suposta invasão de carros produzidos no país.
No caso mexicano, agricultores temiam que um acordo de livre comércio poderia ter um impacto similar ao que ocorreu no México com a criação do Nafta, o acordo de livre comércio com EUA e Canadá. Nos anos 90, o tratado acabou prejudicando a agricultura mexicana por conta da entrada de produtos americanos altamente subsidiados. No caso brasileiro, o temor tem como base a competitividade das exportações primárias do País.

A diferença agora, segundo os mexicanos, é que a ideia de um acordo começa a ganhar apoio do setor privado dos dois lados. Segundo o governo do México, um Grupo de Alto Nível Empresarial foi formado para estudar de que forma as duas economias poderiam se aproximar. A imprensa mexicana também já indicou que companhias como a Petrobrás, Braskem, Weg, Bimbo e América Móvil estariam dando sua chancela ao projeto. Hoje, o México tem 12 acordos de livre comércio envolvendo mais de 40 países. / J.C.
Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/m%C3%A9xico-quer-negociar-acordo-comercial-com-o-brasil-1

ECONOMIA INDUSTRIAL BRASILEIRA

Indústria quer mais acordos comerciais com outros países

Indústria pressiona governo por mais acordos comerciais com outros países Com mercado interno em desaquecimento e vendo sua participação nas exportações em queda, setor pedirá nova política de inserção do País no cenário global, ainda que signifique abertura maior do mercado.
SÃO PAULO - Após passar anos buscando proteção do governo, a indústria brasileira se deu conta de que o mercado interno não é suficiente para garantir seu futuro. No momento em que vê sua participação nas exportações despencar e em que perde mercado até na América do Sul, o setor começa a pressionar o governo na direção oposta: quer mais acordos comerciais bilaterais.

Nos próximo dias, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) enviará à presidente Dilma Rousseff uma carta com extensa análise sobre a ausência do Brasil nos acordos preferenciais de comércio e recomendações para uma nova e urgente política de inserção comercial, ainda que isso signifique uma abertura maior do mercado nacional.
"O Brasil precisa saber, em todas as esferas - empresários, governo e sociedade -, que, se não fizer nada, vai ficar excluído do cenário mundial. Vai regredir mais e mais sua produção para bens primários", diz Pedro Passos, presidente do Iedi e sócio-fundador da Natura.

Outras entidades também pedem mudanças na política comercial brasileira, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A Fiesp se prepara para liderar um movimento pela reforma do Mercosul. "Precisamos nos livrar dessa camisa de força, pois não vamos concluir nenhum acordo tendo Argentina e Venezuela como parceiros", diz Roberto Giannetti da Fonseca, do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp. A ideia é ter um acordo guarda-chuva para o bloco e acertos individuais de cada país, com tarifas específicas e prazos de adesão.

O Iedi afirma que, ao privilegiar as negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), em discussão desde 2001, o Brasil não correu atrás de acordos preferenciais de comércio, se afastando de outras economias relevantes que investiram nessa estratégia. Em dezembro, o futuro de Doha será tema da reunião da OMC, agora sob direção do brasileiro Roberto Azevedo.

 Recuo. Nos anos 70 e 80, a indústria brasileira representava 3% da indústria global e 1,5% do comércio mundial de produtos. Hoje, essas fatias caíram para 1,7% e 0,7%, respectivamente. Com a cruzada pela inserção do País em acordos de grande abrangência, Passos afirma ter como "meta ou sonho" a recuperação dessa presença. "Não se trata, portanto, de um esforço coreano ou chinês, pois já tivemos o dobro da participação atual."
Entre as questões regulatórias que devem ser incluídas em futuros acordos, o Iedi sugere regras de origem preferenciais, mecanismos de reconhecimento mútuo de medidas não tarifárias, salvaguardas transitórias e um modelo de proteção aos investimentos que leve em conta as sensibilidades de países em desenvolvimento.

A coordenadora do Centro do Comércio Global e do Investimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, diz que, até o ano passado as indústrias resistiam em apoiar acordos. Alegavam perda de competitividade em razão do custo Brasil e da desvalorização cambial. Mas viram, por exemplo, que a explosão de consumo ocorrida no País foi atendida em boa parte por produtos chineses.
"A indústria nacional continua sem competição, mas percebeu que isso precisa ser usado como pressão para buscar soluções do governo", diz.



 

 

PAÍSES DA AMÉRICA LATINA REDUZEM COMPRAS DO BRASIL

 
De 2008 para 2011, País perdeu US$ 5,4 bilhões em vendas a países vizinhos, que deram preferência a China, EUA, UE e México
SÃO PAULO - Além de importar muito, o Brasil perde exportações para seus tradicionais compradores da América Latina, que nos últimos cinco anos fizeram acordos com diversos blocos econômicos, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia (UE).
De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), desde o início da crise internacional, em 2008, até 2011, o País perdeu US$ 5,4 bilhões em vendas para a Argentina, México, Peru, Colômbia, Chile, Equador, Venezuela, Paraguai e Bolívia. As compras foram direcionadas para China, Estados Unidos, União Europeia e México.
Os acordos que o Chile tem envolvem 62 países, incluindo os 27 da UE. Os da Colômbia envolvem 60 países, os do Peru 52, os do México 50 e os do Brasil, apenas 22, a maioria de pouca expressão comercial, como Israel, Egito, Palestina e a União Aduaneira do Sul da África (Sacu). Os três últimos ainda nem entraram em vigor.
Soraya Rosar, gerente executiva da Unidade de Negociações Internacionais da CNI, afirma que, tradicionalmente, a postura do empresariado brasileiro era mais defensiva, de resguardo ao mercado doméstico para a indústria local. Isso mudou com a perda da competitividade local e com a onda de acordos deflagrados pelos demais países, que colocam o Brasil no isolamento.
"A CNI entende que a perda de competitividade da indústria brasileira e a queda nas exportações de semi e manufaturados sinalizam que o Brasil precisa dar mais atenção às negociações internacionais", diz Soraya. "O País corre o risco de perder mais espaço em seus mercados exportadores se não entrar no jogo mundial e buscar novas parcerias no comércio internacional."
Soraya reconhece, contudo, que acordos comerciais, em si, não resolvem o problema se o País não melhorar sua competitividade.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, também favorável aos acordos internacionais, ressalta que a falta de competitividade e a baixa produtividade da indústria brasileira em geral vão exigir um período de transição para adequação dos setores.
A entidade tem o desafio de exportar 1 milhão de veículos até 2017. Há sete anos, o setor exportou 900 mil veículos, mas, desde então, os números despencaram. Em 2012, foram 442 mil unidades e, neste ano, não devem passar de 420 mil. Segundo Moan, a Anfavea já entregou ao governo suas propostas para a negociação do acordo do Mercosul com a UE e pede que o setor seja tratado como "sensível".
Sem consenso. Apesar do apoio de grandes entidades, a defesa dos acordos comerciais não é consenso em toda a indústria. Uma parte teme a abertura comercial desenfreada, como ocorreu no passado.
"A tarefa é difícil, vai exigir determinação e visão de longo prazo, mas não podemos mais perder tempo, pois nosso atraso é federal", diz Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Ele lembra que as cadeias globais de setores como eletrônico, farmacêutico e tecnologia da informação "nem passaram perto do Brasil".
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que o momento é bastante complicado para as negociações. "O mundo passa por um momento de crise e todos os países querem aumentar suas exportações e diminuir as importações, ou seja, a conta não fecha."
Para o Brasil, que ficou afastado dos grandes acordos, a situação é ainda mais difícil. Segundo Castro, em 2007 o Brasil tinha 20.889 empresas exportadoras. Hoje, são 18.630, ou 2.259 a menos.
Já o número de empresas importadoras aumentou de 28.911 para 42.458, ou 13.547 a mais. Só de janeiro a abril deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, 59 empresas deixaram a lista de exportadoras e 776 entraram na lista de importadoras, informa a AEB.
Atualizado: 03/06/2013 20:49 | Por Cleide Silva, de O Estado de S. Paulo, estadao.com.br

ECONOMIA: DÉFICIT COMERCIAL


Déficit comercial atinge US$ 5,4 bi até maio e é o maior da história

 Importações somaram US$ 98,7 bi e foram recordes para o período, com destaque para compras de combustíveis e lubrificantes, que avançaram 25,5%

BRASÍLIA - O superávit comercial do mês de maio de US$ 760 milhões é o menor resultado para o mês desde 2002, segundo a série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). De janeiro a maio, contudo, houve um déficit de US$ 5,392 bilhões, o maior da história para os primeiros cinco meses do ano. A comparação considera série iniciada no começo da década de 1990.

As importações somaram US$ 98,683 bilhões, uma alta de 9,8% na comparação com janeiro a maio do ano passado, e foram recordes para o período. Já as exportações somaram US$ 93,291 bilhões, com queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2012.

A balança comercial de petróleo e derivados explica o resultado ruim do comércio exterior brasileiro. O déficit na balança de petróleo de janeiro a maio deste ano é de US$ 11,039 bilhões, resultado de exportações de US$ 8,289 bilhões e importações de US$ 19,327 bilhões. De janeiro a maio de 2011, este déficit foi de US$ 1,286 bilhão e, no mesmo período de 2012, de US$ 1,892 bilhão.

É verdade que parte do resultado negativo deste ano é explicado pela regularização de US$ 4,589 bilhões em importações da Petrobras, realizadas em 2012 mas registradas apenas este ano. Ainda assim, mesmo excluindo estas operações, o déficit de 2013 ainda seria muito superior que nos anos anteriores.

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, disse que os números são explicados pela redução da produção e exportação nacionais e pelo aumento da demanda de importação de petróleo para refino. As exportações nos cinco primeiros meses deste ano registram queda de 40,7% em relação ao mesmo período do ano. Por outro lado, as importações cresceram 22%, pelo conceito de média diária.

A secretária disse que, excluindo as exportações de petróleo, as vendas externas teriam um crescimento de 3,7% em relação ao ano passado, um novo recorde para o período. Ainda sem a balança do petróleo, a balança comercial sairia de um déficit de US$ 5,4 bilhões para um superávit de US$ 5,6 bilhões.

Balanço de pagamentos. O desempenho comercial tem prejudicado o balanço de pagamentos. Pelos últimos dados disponíveis, o déficit nas contas correntes atingiu US$ 8,3 bilhões em abril, US$ 33,1 bilhões no primeiro quadrimestre e US$ 70 bilhões nos últimos 12 meses. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), com saldo de US$ 5,7 bilhões, em abril, e US$ 18,9 bilhões, no quadrimestre, não conseguiram cobrir o rombo.


Atualizado: 03/06/2013 15:21 | Por Renata Veríssimo, da Agência Estado, estadao.com.br